O Piaui é um meio dia prolongado. É um mercado velho, um doce de buriti, uma carne de sol e muito sol na carne. É chupar cana olhando a plantação, cansado. É uma batalha do Jenipapo, uma chuva de caju. É ficar doido só de visitar Oeiras. É ver turista e pensar que é missionário. É ter 2 televisões em casa e não saber assinar o próprio nome. É uma vontade de aparecer no jornal pra ter certeza de que existe quando até livro de geografia ensina pro povo o contrário. É ser filho do sol do equador e pai do homem americano.
O Piauí é uma rua cheia de cadeiras na calçada, uma fila de vizinhos curiosos e falantes, uma família imponente numa casa de azulejos. É um monte de ermo sem eira nem beira. É um campo de futebol de terra batida com o time do bairro e bancos para as meninas. Piauí é Dona Maria de braços abertos e olhos molhados a espera do primo que vem do estrangeiro. É saudade do Rio, de São Paulo, de Brasília e do futuro. É ter que climatizar uma rua, inventar uma praia e ser cheio de idéias para o que fazer no sábado.
É uma casa de taipa que derrete na chuva, é criança chorando com fome, é dengue, é seca, é uma mucura. É onde mais se reclama do calor, mas quando o dia fica bonito pra chover todo mundo corre pra casa. Parece mais fraco que choque de lanterna, mas é a chapada do corisco. É um manguezal de bem-te-vi. É um coqueiro, um cajueiro, um caneleiro e é uma mulher com um vestido vermelho e um colar de opala. Tem cara de capivara criada por Catirina. É uma mambira.
É renda, é palha, é barro. É um festival de cachaça, uma festa junina, um festival de inverno e, vez por outra, um inferno. É um café da manhã com beiju, cuscuz, bolo frito e leite. É talvez ter que dormir junto com o sol e acordar antes dele. Ter medo de onça, cobra, boitatá e de tomar lá onde as patas tomam. Dizem que é terra de macho, mas também tem muita moita! Também dizem que o Piauí é o cu do mundo, mas é só porque ele foi o único estado colonizado pelos fundos. O Piauí tem gosto de gás, talvez por isso pareça com o Iraque. Tem cheiro e cor de cajuína, é uma menina.
Ariane Pirajá
“Amo a terra natal não porque ela é grande, mas, sim, porque é a minha terra” séneca .
Pesquisar este blog
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
MANDU LADINO
O Heroi Mafrense
Indio que ousou se rebelar contra o equivocado catolicismo da época
dos Domingos sanguinários....
Mandu Ladino é o nome do índio. (Isso é lá nome de índio!) Genuinamente brasileiro, como, aliás, eram todos os índios no começo dos 500 anos. Mas este índio – tal de Mandu Ladino – é diferente. Tem história pra contar. Poderia, aliás, ser apenas mais uma história de índios massacrados e dizimados por portugueses ou catequizados por jesuítas em fins do século 17 e começo de 18. Mas não é. Tem história das boas. Foi retratada em 2006 em forma de romance pelo escritor piauiense Anfrísio Neto Lobão Castelo Branco. O livro mostra, entre um beijo e outro, a história verídica de um curumim (índio criança), manso, adotado pelos jesuítas quando estes, no intuito de catequizar índios Brasil afora, fundaram as tais Missões. Ou Aldeamentos, como insiste o pesquisador Paulo Machado.
Num desses aldeamentos, em Viçosa, localizado na linda Serra da Ibiapaba, que separa o Piauí do Ceará (aquela mesma da Iracema dos lábios de mel de José de Alencar), manduzinho foi capturado e vestido com a camisa de força da Santa Madre Igreja e da oficialidade de El Rei de Portugal. A identidade forjada pela imposição e pela violência. Mandado para outro aldeamento de jesuítas, na Paraíba, Mandu não se dobrou ao repicar dos sinos das Missões. E ao final de sua adolescência foge do mosteiro dos velhos padres. O destino? As terras do Piagohy. Sim, isso mesmo, Piauí, lar doce lar de Mandu. Veio rumo ao Grande Rio, o nosso Parnaíba, chamado pelos historiadores de o Grande Rio dos Tapuias.
Pois bem, da Paraíba até o Piauí, ele percorre uma trilha, sentindo como nunca o gostinho da liberdade. Aquela que, sem nenhum favor, tinha ganho ao nascer. Aí começa a história verdadeira: por onde ia passando, ia aglutinando índios soltos e de várias etnias que encontrava pelo meio do caminho, num processo de convencer esses cara-vermelhas a lutar e expulsar cara-pálidas de suas terras. Virou cacique, liderando batalhas e mais batalhas com percas e mais percas dos dois lados. Nessas alturas dos acontecimentos, entram em cena dois velhos conhecidos da história oficial local: Domingos Afonso Sertão e Domingos Jorge Velho.
Essas duas medonhas criaturas, em troca de imensas glebas de terras em sertões do norte-nordeste, estraçalhavam tribos e mais tribos da imensa nação indígena nativa. Foi o início da chamada “civilização do couro” no Piauí. Mas Mandu não se dobrava nunca e continuava a luta – o bicho era teimoso que só! Incomodava - e como! - a corte portuguesa com suas estratégias e conhecimentos de índio amante da natureza. Conhecia cada detalhe geográfico da fauna, flora e do clima semi-árido da nossa região. E claro que por isso mesmo levava quase sempre vantagem contra um monte de brutamontes armados até os dentes, mas completamente ignorantes quanto ao seu campo de batalha. Tudo isso se encontra devidamente documentado, não como história oficial, claro. Mas juntando os cacos aqui e ali de documentos oficiais dá perfeitamente para montar o quebra cabeça. Tarefa para maluco nenhum botar defeito. Imagine para um monte de malucos.
Mandu, finalmente, foi tombado em 1719, depois de liderar várias revoltas contra os colonos e fazendeiros locais, os novos donos da terra brasilis. O local de sua morte ainda é objeto de estudo desse punhado de malucos, mencionados acima, o qual eu me incluo agora. O fato é que se não tivesse sido morto, teria formado o único país independente do planeta cuja nação seria indígena americana. E esta é toda a beleza da história. Escondida nos anais do tempo, claro! Por ironia do destino, o Piauí hoje é o único estado do Brasil que não possui um único índio sobrevivente.
Marta Teresa Tajra
Marta Teresa Tajra
fonte:http://krudu.blogspot.com/2009/02/o-indio-ladino-e-sua-brigada-utopica.html
![]() |
domingo, 23 de janeiro de 2011
Em 1770, muito antes da Princesa Isabel, uma escrava chamada Esperança Garcia, destacou-se pela sua coragem ao redigir uma petição dirigida ao governador da Capitania do Maranhão, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, os maus-tratos sofridos nas mãos de Antônio Vieira de Couto, inspetor de Nazaré, localidade que hoje é o Município de Nazaré do Piauí (PI). Na mais antiga petição escrita por um escravo no Brasil, ela denuncia os maus-tratos sofridos a partir do confisco das fazendas dos jesuítas pela Coroa Portuguesa. Pediu ainda que fosse devolvida à Fazenda Algodões e que sua filha fosse batizada.
Quem foi Esperança Garcia
O Professor Luiz Mott, em memorável entrevista concedida ao “Portal do Sertão”, revela:
“Esperança Garcia foi uma escrava moradora numa das dezenas de fazendas que com a expulsão dos Jesuítas, passaram para a administração governamental, e que em 1770 escreveu uma carta ao Governador do Piauí denunciando os maus-tratos de que era vítima por parte do feitor da fazenda. Salvo erro, é a segunda carta mais antiga até agora conhecida no Brasil manuscrita e assinada por uma escrava negra, e que revela não só os sofrimentos a que estavam condenados os cativos, como o fato de já nos meados do Século XVIII haver mulheres negras alfabetizadas e suficientemente “politizadas” para reivindicar seus direitos e denunciar às autoridades os desmandos de prepostos mais violentos. Além da felicidade de ter descoberto documento tão importante e raro, minha alegria foi maior ainda quando, anos depois, esta negra, até então desconhecida, passou a simbolizar o ideal de liberdade dos negros do Piauí: foi dado o nome de Esperança Garcia a um hospital em Nazaré do Piauí, em Teresina há o Coletivo de Mulheres Negras “Esperança Garcia” e o dia em que ela datou sua carta, 6 de setembro, passou, por lei, a ser comemorado o Dia Estadual da Consciência Negra. Para um historiador é a gloria ter um seu “personagem” ressuscitado e elevado a tantas homenagens dois séculos depois de sua morte”.
Segue abaixo o inteiro teor da carta, escrita em 6 de setembro de 1770:
“Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passom to mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas enhum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.De V.Sa. sua escrava EsPeranÇa garcia”
O caso foi estudado no artigo “Uma escrava do Piauí escreve uma carta”, de autoria do historiador e antropólogo Luiz Mott (publicado no Mensário do Arquivo Nacional, nº 5, 1979). Mais informações podem ser obtidas num estudo de Solimar Oliveira Lima.
Para o Prof. Dr. da UESPI/ UFPI, Élio Ferreira de Sousa, que estuda a temática do negro na literatura, “Esperança Garcia é uma exceção, porque era proibida a leitura para escravo; quem fosse flagrado ensinando escravo a ler era preso e/ou processado. Ela escreveu a carta um ano depois que os jesuítas, de quem era escrava, foram expulsos do Brasil por Marquês de Pombal. Esperança Garcia foi levada à força da Fazenda Algodões, perto de Floriano, para uma fazenda em Nazaré do Piauí. Ela conta que juntamente com o filho eram torturados e espancados; que o feitor a peava, como animal, e que uma vez caiu do penhasco e quase morreu, estando amarrada; que foi proibida de batizar o filho e de se confessar, assim como suas amigas. Na condição de escrava, usou a questão da religião como estratégia para que seus opressores fossem punidos, porque a religião oficial era a católica”, ressaltou o pesquisador, acrescentando que era comum nas fazendas locais, os negros fazerem levantes contra os desmandos, já naquela época.
Reproduzo aqui, entrevista concedida ao "Portal do Sertão" pelo professor Luiz Mott, em 10 de junho de 2006 ao repórter Joca Oeiras, o anjo andarilho.
Portal do Sertão: Paulistano de nascimento, mineiro na adolescência, baiano há um quarto
de século", como você mesmo diz. O que o levou a interessar-se, há mais de vinte anos, pelo Piauí Colonial?
Luiz Mott: Formei-me em Ciências Sociais na USP, em plena ditadura militar. Embora tenha me especializado em Antropologia, logo descobri que gostava mais de investigar a vida social no passado, daí ter-me enveredado pela Etno-História, que é um casamento bem sucedido da Antropologia com a Historiografia. Ao realizar minhas primeiras pesquisas sobre a história social do Brasil Colônia nos Arquivos de Portugal, por acaso deparei-me com inúmeros manuscritos interessantíssimos sobre o Piauí Colonial, área que não conhecia mas que se tornou um de meus “xodós” acadêmicos. A descoberta, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, de um longo documento “ Descrição da Capitania de São José do Piauí”, dos meados do século XVIII, de autoria do Ouvidor Durão, foi fundamental para que me tornasse “piauiólogo”, pois trata-se da mais completa e inteligente descrição setecentista desta Capitania, documento que me serviu de guia para aprofundar a investigação de sua história demográfica e social.
Portal do Sertão: Conte como e onde se desenvolveram as pesquisas. Você esteve muitas vezes no Piauí?
Luiz Mott: Outro fator contribuiu para que me tornasse especialista na etno-história piauiense: tive a felicidade de conhecer o saudoso Prof. Odilon Nunes, (falecido em 1989) que considero o principal historiador desta região, o qual muito me estimulou a prosseguir as investigações, agora também no Arquivo Publico do Piauí, onde então vasculhei grande parte da documentação do período colonial, tendo a felicidade de encontrar muitos documentos inéditos sobre as fazendas de gado dos Jesuítas, sobre a conquista de diversas tribos indígenas, sobre a vida social dos vaqueiros. A partir de então, retornei diversas vezes a Teresina, seja para prosseguir as pesquisas documentais, seja para ministrar conferencias. Em 1985, o Projeto Editorial Petrônio Portela publicou meu livro “Piauí Colonial: População, Economia e Sociedade”, onde reuni cinco artigos divulgados anteriormente em revistas de historia e antropologia. Foi nesta época que realizei pesquisas na Torre do Tombo em Portugal, coletando documentação sobre a atuação do Tribunal da Inquisição nesses sertões, tema até então completamente descurado pela historiografia local.
Portal do Sertão: A descoberta da carta da escrava Esperança Garcia ao governador do Piauí fez com que as pesquisas, de alguma forma, mudassem de rumos?
Luiz Mott: Esperança Garcia foi uma escrava moradora numa das dezenas de fazendas que com a expulsão dos Jesuítas, passaram para a administração governamental, e que em 1770 escreveu uma carta ao Governador do Piauí denunciando os maus-tratos de que era vítima por parte do feitor da fazenda. Salvo erro, é a segunda carta mais antiga até agora conhecida no Brasil manuscrita e assinada por uma escrava negra, e que revela não só os sofrimentos a que estavam condenados os cativos, como o fato de já nos meados do Século XVIII haver mulheres negras alfabetizadas e suficientemente "politizadas" para reivindicar seus direitos e denunciar às autoridades os desmandos de prepostos mais violentos. Além da felicidade de ter descoberto documento tão importante e raro, minha alegria foi maior ainda quando, anos depois, esta negra até então desconhecida passou a simbolizar o ideal de liberdade dos negros do Piauí: foi dado o nome de Esperança Garcia a um hospital em Nazaré do Piauí, em Teresina há o Coletivo de Mulheres Negras “Esperança Garcia” e o dia em que ela datou sua carta, 6 de setembro, passou por lei a ser comemorado o Dia Estadual da Consciência Negra. Para um historiador é a gloria ter um seu "personagem" ressuscitado e elevado a tantas homenagens dois séculos depois de sua morte.
Portal do Sertão: Em suas pesquisas há descobertas sensacionais, como a carta já citada e o saborosíssimo depoimento da mestiça Joana Pereira de Abreu. A que você atribui este resultado? À sorte, ao método ou ao esforço?
Luiz Mott: O ofício de historiador é igual dos antiquários e arqueólogos: a gente vai atrás de pistas, procura aqui, garimpa acolá, e depois de muita labuta, tem a felicidade de se deparar com algumas pérolas preciosas, como esta que achei na Torre do Tombo: Joana Pereira de Abreu era uma escrava mestiça, moradora na Mocha nos meados dos setecentos, protagonista de um dos episódios mais complexos e insólitos da historia religiosa do Brasil Colonial: praticou um ritual diabólico, o famigerado Sabá, reunião orgiástica de feiticeiras com Satanás, ritual medieval muito comum na Europa mas até então nunca documentado na a América Portuguesa. E foi exatamente na Mocha, no Campo dos Enforcados, que ocorreu este “conventículo” de negras e mestiças que socializavam secretamente com um bando de Diabos, exatamente como faziam as bruxas européias perseguidas pela Inquisição. É uma historia de arrepiar os cabelos, riquíssima de informações sobre os costumes sertanejos nas fronteiras do Piauí com Maranhão, artigo que está no prelo para publicação e que certamente vai causar grande “rebu” na historia da vida religiosa do Piauí Colonial.
Portal do Sertão: Você me parece uma pessoa que se dedica intensamente a tudo o que faz, seja à militância gay, seja à vida acadêmica. Como faz para manter tão alto o astral?
Luiz Mott: Acabo de completar 60 anos e receber o título de Cidadão Baiano, o que me honrou muito, pois vivendo há 27 anos em Salvador já era Cidadão Soteropolitano, mas os deputados recusavam me titular devido ao preconceito à minha militância pelos direitos humanos dos homossexuais. Para mim foi uma vitória importantíssima este título, pois prevaleceu o bom senso e a tolerância, considerando que o ser humano deve ser avaliado por seus méritos, qualidades, honestidade, e não por suas preferências amorosas. Sofri muitos preconceitos em minha vida acadêmica e social devido à minha condição de gay militante, mas não me arrependo um só minuto de ter-me assumido, pois para mim, ser homossexual foi uma graça divina! Espero viver muitos anos mais para continuar nessa luta para que se cumpra o ideal sintetizado pelo nosso maior poeta moderno, o bissexual Fernando Pessoa: “O amor que é essencial; o sexo, acidente: pode ser igual, pode ser diferente!”
Portal do Sertão: Oeiras é a chamada "Capital da Fé" no Piauí. Que reação, você imagina, terá o público da sua conferência?
Luiz Mott: Visitarei Oeiras pela primeira vez “ao vivo”, mas a primitiva Mocha é minha velha conhecida, pois há muitos anos estou por dentro de sua historia, dialogo com seus primeiros povoadores, resgatando a conturbada vida de seus moradores, seja brigando com os índios, devastando os sertões à procura do capim mimoso, pelejando com os jesuítas, amedrontando-se com os visitadores do Santo Oficio da Inquisição, realizando calundus e rituais diabólicos. As religiões são dialéticas, evoluem, umas nascem, vicejam, outras declinam, murcham e morrem. As religiões devem ser a escola do amor e da tolerância, do respeito à diversidade, do ecumenismo. Passou o tempo em que a lei era “Roma locuta, causa finita” (Roma falou, acabou a discussão). Vivemos num Estado Laico, onde a censura é proibida, onde a Constituição garante a liberdade religiosa mas também o direito ao ateísmo e ao conhecimento da verdade histórica sobre o passado das crenças religiosas. Passou-se o tempo que os hereges eram apedrejados! A verdade pode doer, pode chocar, mas a mentira é a mãe de todos os erros! E a mentira tem um pai: o Diabo do Campo dos Enforcados!
A CARTA
"Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passo mto mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas em hum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.
De V.Sa. sua escrava Esperança Garcia”
"Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passo mto mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas em hum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.
De V.Sa. sua escrava Esperança Garcia”
Sites consultados:
www.overmundo.com.br/
oeiras_brasil.blogs.sapo.pt/1222.html
www.paginalegal.com/categoria/documentos-historicos/
www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=660&pagina=7
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Cinema no Piauí: bases, origem e transformações
Cinema no Piauí: bases, origem e transformações
(07/06/2010, às 07:59:12)
A arte, de um modo geral, sempre encontra formas e maneiras de se manifestar em qualquer canto que seja. A sedução pela arte é inerentemente humana e ultrapassa fronteiras geográficas, tecnológicas e intelectuais. Sendo a arte a própria expressão do íntimo humano, ela não deve se limitar a regras e normas, embora na maioria das vezes tenha bases muito bem definidas que terminam cristalizando dogmas. Foi Riccoto Canudo, no seu Manifesto das Sete Artes, quem dogmatizou o Cinema como sendo a Sétima Arte, dentro da qual dialogariam todas as outras, desde o Teatro à Música.
Infelizmente, não é possível eleger um teórico que clarifique e sistematize a produção audiovisual piauiense, sobretudo pelo fato de que há controvérsias se se pode ou não falar de um cinema piauiense. Obviamente que as origens disso remetem à própria questão da autoestima baixa do nordestino, acentuada em nosso Estado. A cultura daqui é um mix das outras que nos cerceiam, o que impede uma formação mais contundente de uma identidade cultural forte. Se não temos sotaque, não devemos ter cultura.
Tal pensamento autossabotador é escutado em qualquer palco vazio ao nosso lado. Um exemplo disso é quando a unanimidade relaciona os primeiros passos do “cinema piauiense” a produções amadoras no final da década de 60 e 70. No entanto, é importante lembrar que o Estado conheceu o cinema desde seu início, praticamente. As primeiras exibições experimentais de filmes na capital e interior datam de 1901, trazidas por empresários estrangeiros. Logo no alvorecer da nova arte fomos apresentados a ela. Nas décadas seguintes, as sessões de cinema se configuraram como a principal diversão do piauiense, ocasionando o boom dos cinemas de rua, como Cine Royal, Cine São Luis, entre outros. Temos, ou tínhamos, o segundo cinema de rua mais antigo do país. O Cine Rex foi inaugurado em 26 de novembro de 1939 com a exibição do filme A Grande Valsa e formou as mais diversas plateias nas mais diferentes épocas e acompanhou grande parte das transformações pelas quais a produção cinematográfica passou, incluindo a sua própria.
Foi perto dali que um grupo de jovens se reuniu para produzir um jornal com o objetivo de levar cultura à população. Paulo José Cunha, Edwar Oliveira, Arnaldo Albuquerque, Carlos Galvão e Durvalino Couto Filho sentaram-se nas gramas da Praça da Liberdade com o objetivo de fazer um movimento trazendo a cultura para mais perto da população. Por conta disso, o jornal foi chamado de “Gramma”, e graças a uma entrevista dada por Torquato Neto nasceu o primeiro curta-metragem piauiense, Adão e Eva no Paraíso de Consumo (ou Do Paraíso ao Consumo), protagonizado pelo próprio e por Claudete Dias. A ele, seguir-se-iam muitos outros.
A produção audiovisual piauiense sempre pertenceu, como podemos ver em sua pequena trajetória, ao coro dos descontentes. Sempre foi intimamente ligada aos movimentos cineclubistas, nos quais se viam clássicos, discutiam-se tendências e experimentavam-se pequenas e ousadas gravações. Muito arraigado a questões sociais e politicamente reacionárias (frutos da Ditadura Militar), não inovou em estética ou linguagem. Bebeu na fonte da Nouvelle Vague da França, do Neo-realismo da Itália e do Cinema Novo brasileiro para, dessa mistura, registrar o clima sociocultural de uma época. Assim tivemos o movimento setentista em super-8, no qual Torquato Neto foi grande expoente, defendendo a precária tecnologia: “Cinema é um projetor funcionando, projetando imagens em movimento sobre uma superfície qualquer. É muito chato. O quente é filmar”.
E na quente Teresina da primeira metade da década de 70 saíram filmes como David a Guiar (também conhecido como As Feras), de Durvalino Couto Filho, Porenquanto, de Carlos Galvão, Terror na Vermelha, de Torquato Neto, entre outros, além das animações de Arnaldo Albuquerque e do longa-metragem Guru das Sete Cidades, que recebeu apoio estatal e foi satirizado por Noronha Filho com o seu Guru das Sexys Cidades, que vem acentuar o caráter marginal à produção desenvolvida no Piauí até então. Em geral, eram filmes de curta duração sem som direto que contavam uma história ou mesmo fragmentos de um específico cotidiano com uma trilha sonora da época (David a Guiar transcorre todo ao som de “Dark Side of the Moon”, álbum do Pink Floyd de 73).
Depois da morte de Torquato Neto, a produção piauiense efervescente ficou tímida. No final da década de 70, outros cinco jovens que participavam do Cineclube Teresinense resolveram colocar em prática seus estudos na área de cinema. Criaram, para tal, o grupo “Mel de Abelha”, que realizou sete curtas: Povo Favela (78), Pai Herói (80), Relógio do Sol (81), Espaço Marginal (81), O pagode de Amarante (85), Dia de Passos (85) e Da Costa e Silva (85). “Mel de Abelha” era formado por Dácia Ibiapina, Valderi Duarte, Luis Carlos Sales, Socorro Melo e Lorena Rego. Os principais temas tratados pelas produções do grupo são as questões morais, educação, cidadania e uma preocupação em resgatar as tradições culturais do Estado.
A sátira e a ironia eram características presentes nesses filmes, por serem crias do período da Ditadura e Censura. O que pode-se perceber é que, na contramão do cinema nacional, que se deslumbrava com o Cinema Novo, o Piauí via no Cinema Marginal sua única forma de uma manifestação audiovisual efetiva. Uma das causas da “adoção” desse formato não deixa de ser a precariedade de recursos. Até a década de 80 não havia nenhuma lei de incentivo ao cinema. Todo o desenvolvimento do audiovisual no Piauí era de inteira responsabilidade de seus criadores – como ainda o é. No nosso Estado não se falavam em leis de incentivo e políticas públicas, financiamento, além de incentivo à pesquisa. Uma realidade que não mudou muito, numa análise contemporânea.
Do modo como operaram suas bases e transformações, a produção audiovisual piauiense esboça um sentimento de não pertencimento dentro da história do cinema nacional. Por não se adequar ao mainstream tanto do Cinema Novo quanto do Cinema Marginal, resumiu-se a um olhar muito particular sobre nós mesmos. O nosso protesto é mais econômico e social do que político ou existencialista, embora tudo pareça estar no mesmo pacote. Enquanto Ruy Guerra mexia com o militarismo em Os Fuzis, Durvalino Filho mostrava os hippies daqui em David a Guiar. Nossos temas parecem ser de interesse só nosso, feito de uma maneira a construir uma identidade visual piauiense a partir do cotidiano de uma época, ou de épocas diferentes.
A primeira metade da década de 90 é marcada pelo fechamento da Embrafilme, que desertificou a produção nacional. Muito tiveram que se reinventar para sobreviver (Arnaldo Jabor virou jornalista) e outros simplesmente se deixaram morrer. No Piauí, começam a acontecer as iniciativas isoladas que continuam até hoje de jovens crescidos na geração dos videoclipes. Douglas Machado faz o curta-metragem A Ponte em 1994, já esboçando o olhar que seria marcante nas produções do fim da década e início da outra da noite teresinense e da juventude que anseia por diversão e arte. Com muita persistência, lança seu Cipriano em 2001, fazendo desabrochar um sentimento de Cinema por parte da população. Com isso surgem os nomes de Dalson Carvalho, Alan Sampaio, Monteiro Júnior, entre outros, que se destacam depois de várias produções amadoras no fim do milênio.
A vertente marginal volta a ser assumida com as produções de Aristides Oliveira, que também organiza a Mostra de Cinema Marginal, já com duas edições. Também ocorre o boom dos documentários legitimamente piauienses, com uma preocupação econômica e social mais frouxa, porém ainda presentes nas entrelinhas. Os editais, as leis de incentivos, o apoio das empresas privadas começam, ainda que timidamente, a fazer parte da vida dos jovens cineastas do Estado. A televisão se rende e começam a aparecer programas voltados para cinema e com a exibição de curtas-metragem feitos aqui, assim como tem acontecido mais festivais e mostras de filmes nossos, com público a cada ano maior.
As salas de cinema, agora presas aos shoppings, também começam a abrir suas entradas às produções locais. Depois de Cipriano, tivemos exibições de No Meio do Caminho (2004) e Insone (2005), de Monteiro Júnior, O Confidente (2005), de A. José, e Entre o Amor e a Razão (2006) e Ai que Vida! (2007), de Cícero Filho. O sucesso deste último mostra o quanto o público está ávido por produções que o refletem na tela grande. Nas salas foras do shopping, digamos assim, pudemos conferir vários curtas e documentários, como Um Corpo Subterrâneo (2007), de Douglas Machado, A Noite e a Cidade (2005), de Monteiro Júnior, O Cine Rex e Nós (2007) e Um Homem sem uma Câmera (2007), de Alan Sampaio, e Corpos Humanos (2007) e Quem São os Mestres? (2008), de Dalson Carvalho, entre diversos outros.
Após o movimento em super-8 nos anos 70 e o Mel de Abelha na década seguinte, não tivemos mais manifestações coletivas e unidas em prol de uma produção audiovisual. Talvez o mais perto que se tenha chegado disso na nossa história recente tenha sido o movimento denominado Kitupira, que tinha à frente o jovem cineasta Alan Sampaio. Contudo, com sua morte precoce no Natal de 2007 não houve tempo para o Kitupira mostrar a que veio. De agregação de pessoas com vontade de se expressar por meio do audiovisual, têm-se as oficinas realizadas pela Associação Brasileira de Documentaristas – seção Piauí, que busca formar jovens capacitados a compreender tecnicamente o cinema e a estar apto a realizá-lo, promovendo viagens ao interior e produção de curtas-metragens com seus participantes.
Como o campo cinematográfico entrecruza com os campos cultural, no caso as outras artes, político (filmes com mensagens políticas, com ideologia, e até mesmo a falta de políticas de financiamento e apoio), econômico (o difícil acesso aos equipamentos, na grande maioria caros, e a falta de apoio de instituições e governo) e social (interesse das pessoas em conhecer e apreciar a produção local), é preciso um fortalecimento desses campos para que a produção audiovisual possa se cristalizar. Ainda parte de iniciativas isoladas e vem conquistando espaço graças às temáticas nas quais o público se reconhece na tela. Algumas são mais universais e outras mais específicas. Os movimentos cineclubistas estão escassos, o “cinema piauiense” agora pertence a angústias individuais de jovens com vontade de se expressar. Ele se reconhece no vazio das relações interpessoais. Na falta de ideologias, fala-se de si mesmo. Se depender disso, ainda seremos espectadores de muitos filmes genuinamente da terra.
Infelizmente, não é possível eleger um teórico que clarifique e sistematize a produção audiovisual piauiense, sobretudo pelo fato de que há controvérsias se se pode ou não falar de um cinema piauiense. Obviamente que as origens disso remetem à própria questão da autoestima baixa do nordestino, acentuada em nosso Estado. A cultura daqui é um mix das outras que nos cerceiam, o que impede uma formação mais contundente de uma identidade cultural forte. Se não temos sotaque, não devemos ter cultura.
Tal pensamento autossabotador é escutado em qualquer palco vazio ao nosso lado. Um exemplo disso é quando a unanimidade relaciona os primeiros passos do “cinema piauiense” a produções amadoras no final da década de 60 e 70. No entanto, é importante lembrar que o Estado conheceu o cinema desde seu início, praticamente. As primeiras exibições experimentais de filmes na capital e interior datam de 1901, trazidas por empresários estrangeiros. Logo no alvorecer da nova arte fomos apresentados a ela. Nas décadas seguintes, as sessões de cinema se configuraram como a principal diversão do piauiense, ocasionando o boom dos cinemas de rua, como Cine Royal, Cine São Luis, entre outros. Temos, ou tínhamos, o segundo cinema de rua mais antigo do país. O Cine Rex foi inaugurado em 26 de novembro de 1939 com a exibição do filme A Grande Valsa e formou as mais diversas plateias nas mais diferentes épocas e acompanhou grande parte das transformações pelas quais a produção cinematográfica passou, incluindo a sua própria.
Foi perto dali que um grupo de jovens se reuniu para produzir um jornal com o objetivo de levar cultura à população. Paulo José Cunha, Edwar Oliveira, Arnaldo Albuquerque, Carlos Galvão e Durvalino Couto Filho sentaram-se nas gramas da Praça da Liberdade com o objetivo de fazer um movimento trazendo a cultura para mais perto da população. Por conta disso, o jornal foi chamado de “Gramma”, e graças a uma entrevista dada por Torquato Neto nasceu o primeiro curta-metragem piauiense, Adão e Eva no Paraíso de Consumo (ou Do Paraíso ao Consumo), protagonizado pelo próprio e por Claudete Dias. A ele, seguir-se-iam muitos outros.
A produção audiovisual piauiense sempre pertenceu, como podemos ver em sua pequena trajetória, ao coro dos descontentes. Sempre foi intimamente ligada aos movimentos cineclubistas, nos quais se viam clássicos, discutiam-se tendências e experimentavam-se pequenas e ousadas gravações. Muito arraigado a questões sociais e politicamente reacionárias (frutos da Ditadura Militar), não inovou em estética ou linguagem. Bebeu na fonte da Nouvelle Vague da França, do Neo-realismo da Itália e do Cinema Novo brasileiro para, dessa mistura, registrar o clima sociocultural de uma época. Assim tivemos o movimento setentista em super-8, no qual Torquato Neto foi grande expoente, defendendo a precária tecnologia: “Cinema é um projetor funcionando, projetando imagens em movimento sobre uma superfície qualquer. É muito chato. O quente é filmar”.
E na quente Teresina da primeira metade da década de 70 saíram filmes como David a Guiar (também conhecido como As Feras), de Durvalino Couto Filho, Porenquanto, de Carlos Galvão, Terror na Vermelha, de Torquato Neto, entre outros, além das animações de Arnaldo Albuquerque e do longa-metragem Guru das Sete Cidades, que recebeu apoio estatal e foi satirizado por Noronha Filho com o seu Guru das Sexys Cidades, que vem acentuar o caráter marginal à produção desenvolvida no Piauí até então. Em geral, eram filmes de curta duração sem som direto que contavam uma história ou mesmo fragmentos de um específico cotidiano com uma trilha sonora da época (David a Guiar transcorre todo ao som de “Dark Side of the Moon”, álbum do Pink Floyd de 73).
Depois da morte de Torquato Neto, a produção piauiense efervescente ficou tímida. No final da década de 70, outros cinco jovens que participavam do Cineclube Teresinense resolveram colocar em prática seus estudos na área de cinema. Criaram, para tal, o grupo “Mel de Abelha”, que realizou sete curtas: Povo Favela (78), Pai Herói (80), Relógio do Sol (81), Espaço Marginal (81), O pagode de Amarante (85), Dia de Passos (85) e Da Costa e Silva (85). “Mel de Abelha” era formado por Dácia Ibiapina, Valderi Duarte, Luis Carlos Sales, Socorro Melo e Lorena Rego. Os principais temas tratados pelas produções do grupo são as questões morais, educação, cidadania e uma preocupação em resgatar as tradições culturais do Estado.
A sátira e a ironia eram características presentes nesses filmes, por serem crias do período da Ditadura e Censura. O que pode-se perceber é que, na contramão do cinema nacional, que se deslumbrava com o Cinema Novo, o Piauí via no Cinema Marginal sua única forma de uma manifestação audiovisual efetiva. Uma das causas da “adoção” desse formato não deixa de ser a precariedade de recursos. Até a década de 80 não havia nenhuma lei de incentivo ao cinema. Todo o desenvolvimento do audiovisual no Piauí era de inteira responsabilidade de seus criadores – como ainda o é. No nosso Estado não se falavam em leis de incentivo e políticas públicas, financiamento, além de incentivo à pesquisa. Uma realidade que não mudou muito, numa análise contemporânea.
Do modo como operaram suas bases e transformações, a produção audiovisual piauiense esboça um sentimento de não pertencimento dentro da história do cinema nacional. Por não se adequar ao mainstream tanto do Cinema Novo quanto do Cinema Marginal, resumiu-se a um olhar muito particular sobre nós mesmos. O nosso protesto é mais econômico e social do que político ou existencialista, embora tudo pareça estar no mesmo pacote. Enquanto Ruy Guerra mexia com o militarismo em Os Fuzis, Durvalino Filho mostrava os hippies daqui em David a Guiar. Nossos temas parecem ser de interesse só nosso, feito de uma maneira a construir uma identidade visual piauiense a partir do cotidiano de uma época, ou de épocas diferentes.
A primeira metade da década de 90 é marcada pelo fechamento da Embrafilme, que desertificou a produção nacional. Muito tiveram que se reinventar para sobreviver (Arnaldo Jabor virou jornalista) e outros simplesmente se deixaram morrer. No Piauí, começam a acontecer as iniciativas isoladas que continuam até hoje de jovens crescidos na geração dos videoclipes. Douglas Machado faz o curta-metragem A Ponte em 1994, já esboçando o olhar que seria marcante nas produções do fim da década e início da outra da noite teresinense e da juventude que anseia por diversão e arte. Com muita persistência, lança seu Cipriano em 2001, fazendo desabrochar um sentimento de Cinema por parte da população. Com isso surgem os nomes de Dalson Carvalho, Alan Sampaio, Monteiro Júnior, entre outros, que se destacam depois de várias produções amadoras no fim do milênio.
A vertente marginal volta a ser assumida com as produções de Aristides Oliveira, que também organiza a Mostra de Cinema Marginal, já com duas edições. Também ocorre o boom dos documentários legitimamente piauienses, com uma preocupação econômica e social mais frouxa, porém ainda presentes nas entrelinhas. Os editais, as leis de incentivos, o apoio das empresas privadas começam, ainda que timidamente, a fazer parte da vida dos jovens cineastas do Estado. A televisão se rende e começam a aparecer programas voltados para cinema e com a exibição de curtas-metragem feitos aqui, assim como tem acontecido mais festivais e mostras de filmes nossos, com público a cada ano maior.
As salas de cinema, agora presas aos shoppings, também começam a abrir suas entradas às produções locais. Depois de Cipriano, tivemos exibições de No Meio do Caminho (2004) e Insone (2005), de Monteiro Júnior, O Confidente (2005), de A. José, e Entre o Amor e a Razão (2006) e Ai que Vida! (2007), de Cícero Filho. O sucesso deste último mostra o quanto o público está ávido por produções que o refletem na tela grande. Nas salas foras do shopping, digamos assim, pudemos conferir vários curtas e documentários, como Um Corpo Subterrâneo (2007), de Douglas Machado, A Noite e a Cidade (2005), de Monteiro Júnior, O Cine Rex e Nós (2007) e Um Homem sem uma Câmera (2007), de Alan Sampaio, e Corpos Humanos (2007) e Quem São os Mestres? (2008), de Dalson Carvalho, entre diversos outros.
Após o movimento em super-8 nos anos 70 e o Mel de Abelha na década seguinte, não tivemos mais manifestações coletivas e unidas em prol de uma produção audiovisual. Talvez o mais perto que se tenha chegado disso na nossa história recente tenha sido o movimento denominado Kitupira, que tinha à frente o jovem cineasta Alan Sampaio. Contudo, com sua morte precoce no Natal de 2007 não houve tempo para o Kitupira mostrar a que veio. De agregação de pessoas com vontade de se expressar por meio do audiovisual, têm-se as oficinas realizadas pela Associação Brasileira de Documentaristas – seção Piauí, que busca formar jovens capacitados a compreender tecnicamente o cinema e a estar apto a realizá-lo, promovendo viagens ao interior e produção de curtas-metragens com seus participantes.
Como o campo cinematográfico entrecruza com os campos cultural, no caso as outras artes, político (filmes com mensagens políticas, com ideologia, e até mesmo a falta de políticas de financiamento e apoio), econômico (o difícil acesso aos equipamentos, na grande maioria caros, e a falta de apoio de instituições e governo) e social (interesse das pessoas em conhecer e apreciar a produção local), é preciso um fortalecimento desses campos para que a produção audiovisual possa se cristalizar. Ainda parte de iniciativas isoladas e vem conquistando espaço graças às temáticas nas quais o público se reconhece na tela. Algumas são mais universais e outras mais específicas. Os movimentos cineclubistas estão escassos, o “cinema piauiense” agora pertence a angústias individuais de jovens com vontade de se expressar. Ele se reconhece no vazio das relações interpessoais. Na falta de ideologias, fala-se de si mesmo. Se depender disso, ainda seremos espectadores de muitos filmes genuinamente da terra.
Colaboração:
Ivana Machado, Nina Nunes, Naira Sérvio, Afonso Rodrigues
Texto:
Monteiro Júnior
Ivana Machado, Nina Nunes, Naira Sérvio, Afonso Rodrigues
Texto:
Monteiro Júnior
fonte: http://www.acessepiaui.com.br
O Balandê de seu Coelho, doc de Noronha Pessoa
TORQUATO NETO: na foto como o Nosferatu, ao lado de Scarlet Moon
mais sobre o assunto;http://npdpiauilfotografojosemedeiros.blogspot.com/
sábado, 14 de agosto de 2010
03 de Julho de 2008
Livro piauiense ganha prêmio do IPHAN
O livro tem como objetivo incentivar novos pesquisadoresO livro “Carnaúba, Pedra e Barro na Capitania de São José do Piauhy”, que registra a história do Piauí através da arquitetura e construções de prédios desde a colonização até o século passado acaba de receber um importante prêmio concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN.
O livro, de autoria do arquiteto e pesquisador Olavo Pereira, apresenta os elementos característicos e a matéria-prima daquelas construções. Organizado em três volumes, o livro contém a pesquisa que ganhou o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, na categoria Pesquisa e Inventário de Acervo .
Cada volume do livro trata de um tema: urbanismo, a origem e o desenvolvimento das vilas e cidades no Estado, estabelecimentos rurais, mostrando como eram as fazendas do Piauí colonial e arquitetura urbana, construções civis, religiosas, oficiais, militares, industriais e funerárias.“É um estudo que começou de forma independente, durou uns 20 anos. Só depois ganhou apoio. Tem como objetivo incentivar novos pesquisadores, e a ajuda na criação de projetos de preservação desses ‘monumentos’”, diz o arquiteto e autor premiado Olavo Pereira.
O livro oferece um modo de ver e de sentir essas estruturas, disponibilizando uma vasta gama de informações técnicas sobre a origem e evolução das cidades do Piauí nos séculos XVIII, XIX e XX, da colonização à República, bem como das técnicas e sistemas construtivos empregados em sua arquitetura, além de abordagem sobre as condições de preservação desse acervo.
VESTÍGIOS DE HISTÓRIA - Durante a pesquisa Olavo destaca que encontrou “vestígios de fazendas antigas, elementos importantes de construções que não existem mais, elementos religiosos de igrejas feitas por jesuítas na região de São João do Piauí. É um registro que serve como referência do povoamento das fazendas nacionais”.
Olavo é Arquiteto, Urbanista e Especialista em Restauração e Conservação de Conjuntos e Monumentos Históricos. Ele mora em Minas Gerais desde 1968. E diz que resolveu vir fazer essa pesquisa no Piauí pela carência de informações que havia no estado.
“A falta de referências sobre o acervo arquitetônico e urbanístico do Piauí me motivou a fazer esse levantamento sobre as casas, os elementos construtivos (carnaúba, pedra e barro, que ao nome ao livro). Para evidenciar essas referências históricas e também incentivar programas de proteção, preservação que devem ser incluídos nos projetos oficiais”, explica Olavo, que percorreu cerca de 50 municípios do Estado, conversando com pessoas, e pedindo licença para documentar desde as enormes sedes das fazendas à mais rústica construção de pedras empilhadas.
fonte;http://www.arquitetura.com.br
Em um artigo publicado no livro Cidade/História e Memória, Teresina - 150 anos, intitulado "Em busca de uma cidade perdida", o historiador Francisco Alcides do Nascimento ressalta a frustração de pessoas que,
ao retornar a Teresina, depois de alguns anos de ausência, não mais reconhecem a cidade de sua infância, de sua juventude. Para ilustrar, ele cita a reação do poeta Ribamar Ramos, depois de longa temporada fora de Teresina - onde passou sua juventude -, resolvido a não mais voltar à cidade.
"O seu interlocutor teria perguntado a razão dessa decisão. A resposta foi imediata: 'a Teresina do meu tempo já não existe mais. Demoliram o Café Avenida, o Bar Carvalho e seu cozinheiro espanhol não fazem
mais parte da paisagem da praça Rio Branco'. A cidade do "tempo do poeta" é colocada em oposição à cidade visitada. Esta lhe é desconhecida e ele sente um certo estranhamento. A cidade latente em sua memória é narrada e ganha um novo suporte, a história", diz o texto de Alcides do Nascimento.
Continuando, o historiador assinala que "a cidade de Ramos resulta do exercício de lembrar que no lugar de um estacionamento existia o Café Avenida, local onde a elite intelectual, até o início da década de 1940, se juntava para discutir os últimos acontecimentos da cidade, do país e do mundo". Em outro parágrafo,
Alcides do Nascimento diz que "a realidade de Teresina demonstra que nem sempre os edifícios construídos servem de referência durante toda a nossa vida. Aliás, esse parece ser um problema relacionado com o Brasil inteiro, a sedução pelo novo tem nos deixado sem algumas referências".
Porém, o personagem citado por Alcides do Nascimento é um entre milhares que, ao retornar a Teresina, depois de certa ausência, se depara com estacionamentos em lugar de prédios que contavam um pouco da
vida da cidade; construções que ajudavam na busca do passado, uma referência que agora aparece apenas na lembrança ou numa velha fotografia esquecida em alguma gaveta; mais uma peça de museu. Infelizmente essa descaracterização tem sido uma rotina na cidade: o novo sufocando, apagando a memória, ajudando no surgimento de uma nova cidade sem passado, como se tivesse surgido por encanto, desconhecida de seus filhos de antigas gerações.
Para o historiador Jussival Sousa, de algumas décadas para cá, Teresina vem se descaracterizando com a derrubada de prédios antigos que dão lugar a estacionamentos ou a construções modernas. Ele adverte que, dentro de pouco tempo, se não for tomada uma decisão séria dos órgãos competentes, a história
de Teresina irá se resumir a documentos e peças de museus. "Se ao menos conservassem a fachada,
ainda poderíamos mostrar às novas gerações a história do crescimento da cidade, mas muitos prédios estão sendo demolidos por inteiro", assinala.
Citando como exemplo recente a derrubada de uma antiga casa localizada no cruzamento das Ruas Davi Caldas e Areolino de Abreu, o historiador ressalta o que fizeram com Avenida Frei Serafim: "Muitos casarões e sobrados da Frei Serafim foram derrubados, para que fossem erguidos prédios de arquitetura moderna - resultando no desaparecimento de um belo conjunto arquitetônico que contava a história da Teresina das primeiras décadas do século XX", observa.
"O referencial de saber o passado é a memória, que pode estar nos documentos, na oralidade e nas edificações", argumenta, acrescentando que não é contra a modernização da cidade, mas que esse processo seja desenvolvido de forma responsável: "O que não está certo é a chegada dessa modernidade como um tsunami, varrendo a memória da cidade - o que é lamentável", assinala.
"Quando se fala em modernidade se ressalta muito a preservação do meio ambiente, mas porque não poderiam estar no mesmo patamar de importância essa modernidade, o meio ambiente e a nossa
memória?", indaga.
Jussival deixa claro que não é contrário às transformações que os tempos modernos impõem à Teresina, desde que se tenha respeito pelo passado. "O que vamos deixar para as futuras gerações? Só fotos? Só histórias a serem contadas? Parafraseando o mestre Alcides Filho, 'a cidade que hoje vivo não é mais a cidade que eu conheci; a cidade que me apaixonei'", concluiu.
fonte:http://www.sistemaodia.com
ao retornar a Teresina, depois de alguns anos de ausência, não mais reconhecem a cidade de sua infância, de sua juventude. Para ilustrar, ele cita a reação do poeta Ribamar Ramos, depois de longa temporada fora de Teresina - onde passou sua juventude -, resolvido a não mais voltar à cidade.
"O seu interlocutor teria perguntado a razão dessa decisão. A resposta foi imediata: 'a Teresina do meu tempo já não existe mais. Demoliram o Café Avenida, o Bar Carvalho e seu cozinheiro espanhol não fazem
mais parte da paisagem da praça Rio Branco'. A cidade do "tempo do poeta" é colocada em oposição à cidade visitada. Esta lhe é desconhecida e ele sente um certo estranhamento. A cidade latente em sua memória é narrada e ganha um novo suporte, a história", diz o texto de Alcides do Nascimento.
Continuando, o historiador assinala que "a cidade de Ramos resulta do exercício de lembrar que no lugar de um estacionamento existia o Café Avenida, local onde a elite intelectual, até o início da década de 1940, se juntava para discutir os últimos acontecimentos da cidade, do país e do mundo". Em outro parágrafo,
Alcides do Nascimento diz que "a realidade de Teresina demonstra que nem sempre os edifícios construídos servem de referência durante toda a nossa vida. Aliás, esse parece ser um problema relacionado com o Brasil inteiro, a sedução pelo novo tem nos deixado sem algumas referências".
Porém, o personagem citado por Alcides do Nascimento é um entre milhares que, ao retornar a Teresina, depois de certa ausência, se depara com estacionamentos em lugar de prédios que contavam um pouco da
vida da cidade; construções que ajudavam na busca do passado, uma referência que agora aparece apenas na lembrança ou numa velha fotografia esquecida em alguma gaveta; mais uma peça de museu. Infelizmente essa descaracterização tem sido uma rotina na cidade: o novo sufocando, apagando a memória, ajudando no surgimento de uma nova cidade sem passado, como se tivesse surgido por encanto, desconhecida de seus filhos de antigas gerações.
Para o historiador Jussival Sousa, de algumas décadas para cá, Teresina vem se descaracterizando com a derrubada de prédios antigos que dão lugar a estacionamentos ou a construções modernas. Ele adverte que, dentro de pouco tempo, se não for tomada uma decisão séria dos órgãos competentes, a históriade Teresina irá se resumir a documentos e peças de museus. "Se ao menos conservassem a fachada,
ainda poderíamos mostrar às novas gerações a história do crescimento da cidade, mas muitos prédios estão sendo demolidos por inteiro", assinala.
Citando como exemplo recente a derrubada de uma antiga casa localizada no cruzamento das Ruas Davi Caldas e Areolino de Abreu, o historiador ressalta o que fizeram com Avenida Frei Serafim: "Muitos casarões e sobrados da Frei Serafim foram derrubados, para que fossem erguidos prédios de arquitetura moderna - resultando no desaparecimento de um belo conjunto arquitetônico que contava a história da Teresina das primeiras décadas do século XX", observa.
"O referencial de saber o passado é a memória, que pode estar nos documentos, na oralidade e nas edificações", argumenta, acrescentando que não é contra a modernização da cidade, mas que esse processo seja desenvolvido de forma responsável: "O que não está certo é a chegada dessa modernidade como um tsunami, varrendo a memória da cidade - o que é lamentável", assinala.
"Quando se fala em modernidade se ressalta muito a preservação do meio ambiente, mas porque não poderiam estar no mesmo patamar de importância essa modernidade, o meio ambiente e a nossa
memória?", indaga.
Jussival deixa claro que não é contrário às transformações que os tempos modernos impõem à Teresina, desde que se tenha respeito pelo passado. "O que vamos deixar para as futuras gerações? Só fotos? Só histórias a serem contadas? Parafraseando o mestre Alcides Filho, 'a cidade que hoje vivo não é mais a cidade que eu conheci; a cidade que me apaixonei'", concluiu.
fonte:http://www.sistemaodia.com
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O Fogo da Boa Vista
A Coluna Prestes foi um movimento político-militar de origem tenentista, que entre 1925 e 1927 empreendeu uma marcha pelo interior do Brasil defendendo reformas políticas e sociais e combatendo o governo do presidente Artur Bernardes (1922-1926). No ambiente de contestação às oligarquias e sob a influência do tenentismo, remanescentes da Revolução de 1924 uniram-se a dissidentes do Rio Grande do Sul e seguiram para o interior. Sempre conseguindo vitórias, a Coluna combateu forças regulares e milícias privadas de fazendeiros. A Coluna que poucas vezes enfrentou grande efetivo do governo empregava táticas de guerrilha, para confundir as tropas legalistas. Cerca de 1200 homens, chefiados por Juarez Távora, Miguel Costa e Luiz Carlos Prestes percorreram, durante 29 meses, 25 mil km nos estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Ao final de 1926, com mais da metade dos combatentes atacados pela cólera e sem poder continuar a luta, a Coluna procurou asilo na Bolívia. Não conseguindo derrubar o governo do presidente Washington Luiz (1926-1930), mas a invencibilidade da Coluna contribuiu para o prestígio político do tenentismo e reforçou as criticas as oligarquias. Sua atuação ajudou a abalar os alicerces da República Velha, a preparar a Revolução de 1930, a afirmar a liderança nacional de Luiz Carlos Prestes.A passagem da Coluna Prestes por Bocaina, Piauí, deixou rastro de pavor, e o pânico tomou conta da população. Cerca de duzentos revoltosos compunham o grupo. Eles permaneceram na região vários dias, ocasião em que invadiam casas, fazendas, retiros, sempre à procura de bens, víveres, animais, ouro, prata e tudo que pudesse ajudar nos custos da revolução comunista encetada por Luiz Carlos Prestes, que não fez parte deste grupo e não participou deste episódio. Foram ações dessa natureza que rotulou a Coluna com uma imagem negativa, pois transmitia o medo generalizado na população.
O fato mais importante dessa intentona na região se deu na data de 20 de janeiro de 1926 na fazenda Boa Vista, zona rural de Bocaina, ocasião em que os revoltosos ocuparam a propriedade obrigando a fuga de parte da família do fazendeiro e comerciante Cícero Gomes Vieira, permanecendo dois de seus irmãos e uma criada, como reféns. Este acontecimento ficou registrado nos anais da história como “O Fogo da Boa Vista”, e permanece vivo até hoje na memória do povo bocainense.
O confronto entre os membros da Coluna e as tropas legalistas durou mais de duas horas, ficou gravemente ferido o senhor Ciro Gomes Vieira e morto seu irmão Arlindo Gomes Vieira que fora abatido pelas forças leais ao governo que o confundiu com um dos revoltosos.
Segundo a crônica local, as tropas legalistas saíram vencedoras e os revoltosos fugiram para o Ceará com muitas baixas. Na fuga perderam um alforje com dinheiro, prata e ouro que foi encontrado pela agregada Maria de Rufino, que com medo de maiores conseqüências e em obediência o entregou ao seu patrão senhor Cícero Gomes, que ampliou ainda mais sua fortuna.
A fazenda Boa Vista outrora fez parte do grande patrimônio do genearca Raymundo de Souza Britto, filho de Borges Marinho, que a deixou como herança para um de seus filhos, o capitão da Guarda Nacional Antônio Francisco de Souza Britto, este consequentemente a deixou para um de seus descendentes Vicente Francisco de Sousa Britto, seus herdeiros a venderam a Cícero Gomes Vieira, que da mesma forma procedeu, vendendo a propriedade ao atual dono, senhor João Trajano.
A propriedade era composta de açude, engenho de cana, pastagens, juncais, currais de madeira, cercas de pedras, e a casa da sede principal construída nos moldes dos grandes latifúndios nordestinos, inclusive, preservando no seu interior, os recursos de escadaria e sótão, que servia de abrigo em épocas de tensão como este episódio em epígrafe, sendo que na lida cotidiana, servia para o patrão postar-se na janela de onde, célebre, ordenava as atividades e afazeres corriqueiros do dia aos seus empregados.
A propósito: contava e cantava o poeta e folclorista bocainense Luiz Camilo, que por ocasião do fogo da Boa Vista um outro descendente da figura histórica e lendária de Raymundo de Souza Brito, o senhor Carlos Antônio de Souza Brito, mais conhecido por “Véi Carrim” acometido de imenso pavor, saiu correndo da fazenda Boa Vista até o arraial “Aroeiras” no sopé do Morro Grande, e, lá chegando, esbaforido pelo cansaço e pelo medo, narrou os acontecimentos carregado de grande emoção; daí ficou perpetuado para sempre nos versinhos do poeta alusivo ao fato:
“No fogo da Boa Vista
Carrim deu de lá pra cá,
Chegando nas Aroeiras
Modesto, vamos rezar,
Que guerra começou
E nóis vamos se acabar”.
Carrim deu de lá pra cá,
Chegando nas Aroeiras
Modesto, vamos rezar,
Que guerra começou
E nóis vamos se acabar”.
* Cronista membro da UPE – União Picoense de Escritores
Do site: http://www.fnt.org.br/artigos.php?id=188, Portal do sertão.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
RAMSÉS RAMOS
(1962-1998)
Nasceu em Teresina, Piauí, descendente de família de músicos. Viveu em Brasília e trabalhou nas Nações Unidas, como chefe do Cerimonial e de Relações Internacionais. Viveu também na Tchecoeslováquia e na Espanha. Faleceu na Rússia.
Lançou seis livros de poesia: Dois Gumes (1981), com Rosário Miranda; Envelope de Poesia (coletivo); Dança do Caos (1981), com Kenard Kruel, Eduardo Lopes, William Melo Soares e Zé Magão; Percurso do Verbo (1987); Baião de Todos (coletivo, 1996); e Poemas da Paixão (Praga, 1992).
saudade me botou na parede
— há de chorar
mas eu sei que a rede
em que me reparto
é um banquete raro
tanto fino quanto farto
saudade triscou no gatilho
— impossível não prantear
mas eu sinto que o ato
entre o partir e o ficar
é o fico, não o parto
sete pecados do amor
o melhor amor é o que não faz alarde
(mar como arde)
ao melhor amor nunca se esquece
(mas quem merece?)
melhor amor sempre tem dinheiro
(onde, o banqueiro?)
o melhor amor é desinteressado
(todo mundo é culpado!)
melhor amor jamais atraiçoa
(desse se caçoa)
o melhor amor te amará eternamente
(quanto se mente!)
o melhor amor, enfim, de tudo abdica
(esse, com quem fica?)
Poemas extraídos de
TAVARES, Zózimo. Sociedade dos Poetas Trágicos. Vida e obra de 10 poetas piauienses que morreram jovens. 2 ed. Teresina, Piauí: Gráfica do Povo, 2004.
e també do site; http://www.antoniomiranda.com.br
PAULO JOSÉ CUNHA
É poeta, jornalista, professor e documentarista piauiense que nasceu no Rio de Janeiro e vive em Brasília. Publicou em 1984 seu primeiro livro de poemas, Salto sem Trapézio (Senado Federal, Coleção Lima Barreto, Vol. 5, Brasília) e 25 anos depois lançou o segundo, Perfume de Resedá, uma coleção de memórias prefaciadas pelo poeta H. Dobal, sob o selo da editora Oficina da Palavra, de Teresina. Participou das antologias Poesia de Brasília (org. Joanyr de Oliveira) e Mais Uns – Coletivo de Poetas (coord. Menezes y Moraes).
Publicou também dois livros de arte sobre a festa dos bois-bumbás de Parintins, Vermelho – Um Pessoal Garantido e Caprichoso – A Terra do Azul, além dequatro grandes edições de Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês. Em 1978, lançou A Noite das Reformas, um livro-reportagemsobre os bastidores da votação da emenda que extinguiu o AI-5. Como jornalista trabalhou nas sucursais da TV Globo e de O Globo, Rádio Nacional e Jornal do Brasil, em Brasília. Atualmente é âncora de três programas na TV Câmara e leciona na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.
Primo do tropicalista Torquato Neto, PJC recebeu do poeta H. Dobal o seguinte comentário pelos poemas de O Salto Sem Trapézio: “O jornalismo e a juventude lhe deram a possibilidade de usar temas e linguagem atuais, sem o perigo de cair no vulgarismo e no artificialismo dos modismos passageiros. E quanto a isto, sua poesia tem um aspecto único”.
Sobre Perfume de Resedá, H. Dobal, que faleceu em maio deste 2009, deixou registrado: “Uma das funções da poesia é desencantar lembranças, sujeita, no entanto, ao risco de tornar-se apenas uma prosaica enumeração. PJC cumpre esta função, evitando este risco. O seu mundo poético surge da poesia intrínseca das lembranças, realçada pelo poder que as palavras adquirem no contexto.”
Página preparada por Angélica Torres Lima.
O CASO DOS DOIS BEIJOS
No tapete ao lado da cama,
hoje pela manhã,
encontrei dois beijos vadios
que se desprenderam à noite
de teus cabelos
e caíram no chão.
Um deles (o mais tímido)
machucou-se um pouco na queda,
chora e só fala em voltar pra casa.
Já o outro, de uma família de saltimbancos,
em troca de dois vinténs
tomou o lugar de um dos meus.
Agora, teu beijo saltimbanco anda comigo.
Faz piruetas dentro do bolso da calça,
e diz que nunca mais voltará pra casa.
Enquanto isso o meu beijo, um andarilho,
fugiu e agora anda contigo.
Tem feito longas caminhadas pelo teu rosto,
se enrosca em teus cabelos,
escorrega pelo teu corpo,
pendura-se no bico de um seio,
vez por outra se esborracha no chão,
e, com um sorriso safado,
abre os bracinhos
e diz umas piadas sujas
que te fazem rir,
encabulada... A ATRAÇÃO DO ABISMO
Súbito, o silêncio.
O ruflar das asas do condor sobre os quintais,
e o som de sua voz absoluta:
- Já sabes a hora?
E o dia, já sabes o dia?,
ou vais deixar que o acaso te encontre
fiando a tua covardia?
ENQUANTO SEU LOBO NÃO VEM
Sigamos juntos, vamos de mãos dadas
Que apesar das noites, restam as madrugadas.
Sigamos de mãos dadas, vamos
Para algum lugar, longe daqui, sigamos.
Pois mesmo que o caminho seja escuro,
os muros sejam altos, e as arestas, afiadas
alguma luz se infiltrará nas frestas
e algo muito puro, que não sei o nome,
circulará por entre as mãos entrelaçadas
Vamos pela noite sem deixar pegadas
que a morte é certa; a vida, curta; e o mundo, enorme.
Me dá tua mão, sigamos juntos, vamos
que a rua está deserta e o monstro dorme.
fonte; http://www.antoniomiranda.com.br, mais nesse site.
ÁLVARO PACHECO
Nasceu em 28 de novembro de 1933 no Piauí e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1959. Jornalista, editor, poeta, advogado de formação.
“...os poemas de Álvaro Pacheco tocaram este leitor: na era do homem de acrílico a poesia continua a emitir sinais luminosos e confortadores, por mais que se queira esvaziá-la de todo sentido — e a sua tem aquele propriedade.” Carlos Drummond de Andrade
“Álvaro Pacheco é o conciliador do antigo com o moderno, do urbano com o rural, da esperança com o desengano, do discurso coma paisagem significativa. Atrai também o seu jeito de fazer poesia, isto é, o estilo, mistura de espontaneidade e amarga filosofia. Uma crosta festiva, alegre cobrindo com travo de amargura que — importante! — não se derrama, não se vulgariza. E metendo um palavrão dentro do poema, tão natural, sem chocar, sem constranger. Funcional.” Fábio Lucas
DOR
A mão se fecha
você se crispa
em dor.
Você se crispa
a dor se abre
em flor:
em flor:
e você não sabe
na terceira pessoa do singular
porque realmente sofrer
essa dor plural.
SOLIDÃO
Que ninguém me conspurque este momento
de estar comigo
e me deixe intata a solidão.
que ninguém venha
na hora de não vir — e vindo
me deixe desolar.
que ninguém me conspurque a solidão
e me deixe crestar
ao reflexo e na massa intata
da lava dessa hora de mim mesmo
a consumir-se inteiro.
Vitória, agosto de 1968
Rio de Janeiro: Aeroplano, 2003
“Em estado de perplexidade frente a tudo que remeta ao não-sentido de ser, a voz de Álvaro, estoicamente, contempla o vazio da transcendência e acolhe a inelutável dissolução da matéria (...)” Antonio Carlos Secchin
Alcides Freitas nasceu em Teresina, em 4 de julho de 1890. Estudou no Liceu Piauiense, cursou Humanidades e, terminado o curso, em 1906, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Na defesa da tese de doutorado, na área de Fisiopsicopatologia, produziu um texto - Da Lágrima - que já revelava o grande poeta que existia dentrC? de si, pois era muito mais afim à literatura do que à ciência. A tese foi publicada em 1912, o mesmo ano da edição do livro Alexandrillos, escrito em parceria com o irmão Lucídio Freitas.
Publicado em outubro de 1912, o livro Alexandrinos mereceu elogios de críticos de renome nacional, como Osório Duque-Estrada, autor do Hino Nacional Brasileiro, José Veríssimo, Clóvis Beviláqua e Laudemiro de Menezes. Também os piauienses, como Zito Baptista, Antônio Chaves, Abdias Neves é Cristino Castelo· Branco, aplaudiram a obra de estréia do poeta.
Conta a professora Socorro Rios Magalhães que, antes mesmo do lançamento do primeiro livro, os jovens poetas Alcides Freitas e Lucídio Freitas já gozavam de grande prestígio entre os conterrâneos. "A par do pendor pelas letras, demonstrado desde a infância, e dos estudos superiores feitos fora do Estado, eram ainda filhos de Clodoaldo Freitas, naquele tempo já uma legenda no meio intelectual e político do Piauí", destaca a professora .
O bambu
Exposto ao dia, à noite, à beíra da lagoa,
Onde se miram, rindo, as boninas do prado,
Vive um velho bambu, velho, curso e delgado,
A escutar a canção que o triste vento entoa ...
Jamais os leves pés de um trovador alado,
Desses que pela mata andam cantando à toa,
Pousara-lhe num ramo! Apenas o povoa
Alta noite, agourento, um corujão rajado ...
E vive, — arcaico monge a gemer solitário,—
A sua dor sem fim, o seu viver mortuário,
Tristonho a refletir no fundo azul das águas ...
Como bambu da mata, exposto ao sol e ao vento,
Do deserto sem fim de meu padecimento,
Triste nos olhos teus reflito as minhas mágoas!. ..
(Alexandrinos, 1912)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Por Adrião Neto
Cláudio Bastos formou-se em Administração Pública e em Sociologia e Política. Foi professor universitário, pesquisador, escritor e jornalista. Lecionou nos cursos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Gerenciais da Universidade de Negócios e Administração, em Belo Horizonte. Era membro do Instituto Genealógico Brasileiro, do Colégio Brasileiro de Genealogia, da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia, da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba.
Dentre as sua obras destacam-se o “Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí”, editado em 1994, pela Fundação Cultural Mons.
Em 23 de agosto de 2004, no dia em que comemorava 69 anos de existência, o pesquisador piauiense Cláudio de Albuquerque Bastos, foi vítima de um enfarto fulminante. Ele era teresinense, mas vivia há muitos anos na capital mineira, onde estudou, constituiu família e desenvolvia as suas atividades profissionais.
PIAUÍ – SUA HISTÓRIA E SEUS HISTORIADORES
Por Adrião Neto
Comentários de medalhões da intelectualidade piauiense dão conta de que determinada obra sobre um dos principais episódios da História do Piauí, publicada por uma grande editora, seria superficial e uma das mais fracas do gênero, simplesmente pelo fato de ter sido elaborada por um escritor sem formação acadêmica na área de História.
Refletindo sobre essas críticas e sobre a censura de que o autor da obra em foco teria invadido uma seara proibida, infringindo assim os Sagrados Mandamentos da Lei de CLIO (Deus da História), resolvi fazer um levantamento sobre o acervo historiográfico do Piauí e sobre a formação acadêmicas dos nossos historiadores.
Pelas pesquisas que realizei ficou constatado que uma coisa não tem relação com a outra, vez que, as principais obras do nosso acervo historiográfico e outras de relativa importância, incluindo-se também algumas de cunho municipalista, foram legadas por escritores de outras áreas do conhecimento e até mesmo por autores sem formação acadêmica, como é o caso do mestre Odilon Nunes, que é considerado como o maior historiador do Piauí de todos os tempos.
Se realmente para se dedicar a um gênero literário fosse necessário ter formação específica, haveria a necessidade de se ter cursos de graduação em romance, conto, crônica, poesia, etc.
Por outro lado, se, por um passo de mágica a contribuição dos historiadores de outras áreas do conhecimento fosse deletada dos livros, e se a historiografia do Piauí contasse apenas com a produção dos historiadores formados em História, o nosso acervo historiográfico não passaria de um grão de areia no meio do deserto.
Como prova de que, o que afirmei no terceiro parágrafo não é história para boi dormir, transcrevo uma relação de autores acompanhada da formação acadêmica de cada um deles e de suas respectivas obras no campo da historiografia.
Autores sem formação acadêmica na área de História e suas respectivas obras:
Abdias Neves – Bacharel em Direito, autor de: "O Piauí na Confederação do Equador"; "Contribuições para a História do Piauí"; "Aspectos do Piauí"; "O Piauí nas Lutas de 1824" e "A Guerra de Fidié".
Alcides Martins Nunes – Formado em Direito, autor de: "Cronologia Histórica de Valença" e "Anuário de Valença do Piauí", coautoria.
Anísio Brito – Formado em Odontologia, autor de: "Contribuição do Piauí à Guerra do Paraguai"; "O Município Piauiense"; "A Quem Pertence a Prioridade Histórica do Descobrimento do Piauí?"; "Adesão do Piauí à Confederação do Equador"; "Independência do Piauí"; "Os Balaios no Piauí" e "Fazendas Nacionais no Piauí".
Antônio José de Moraes Durão – Formado em Direito, autor da "Descrição da Capitania de São José do Piauí", escrito em l772.
Antônio Reinaldo Soares Filho – Geólogo, autor de: “Oeiras Municipal”.
Antônio Sampaio Pereira – Sem formação acadêmica, autor de: "Esperantina à Luz da História".
Arimatéa Tito Filho – Bacharel em Direito, autor de: "O Piauí no Congresso Nacional"; "Governos do Piauí";"Sua Excelência O Egrégio"; "A Augusta Casa do Piauí"; "Praça Aquidabã, Sem Número"; "Teresina, Ruas, Praças e Avenidas - Roteiro Turístico"; "A Igreja do Alto da Jurubeba"; "José de Freitas, Comunidade Exemplar" e "Memorial da Cidade Verde".
Artur Passos – Sem formação universitária, autor de: "História do Município"; "Roteiro Histórico do Município de Guadalupe" e "História, Economia e Lendas".
Barbosa Lima Sobrinho – Formado em Direito, autor de: "O Devassamento do Piauí".
Benjamin de Moura Batista – Formado em Medicina, autor de: “O Piauí - 1762 a 1920” e “O Piauí no Centenário de Sua Independência”, 4 volumes.
Celso Pinheiro Filho – Formado em Direito, autor de: “História da Imprensa Piauiense”.
Caio Passos – Sem formação universitária, autor de: “Parnaíba – Cada Rua Sua História”.
Carlos Eugênio Porto – Médico, autor de: "Roteiro do Piauí".
Mons. Chaves – Licenciado em Filosofia, tem cursos de Teologia, Escritura Sagrada e Direito Canônico, autor de: “Teresina Subsídios para a História do Piauí”; “O Índio no Solo Piauiense”; “Campo Maior – Lutas pela Independência” (Batalha do Jenipapo); “A Escravidão no Piauí”; “O Piauí na Guerra do Paraguai”; “O Piauí nas Lutas da Independência” e “Como Nasceu Teresina”.
Cláudio Bastos – Bacharel em Administração Pública, em Sociologia e Política, autor do “Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí”.
Pe. Cláudio Melo – Formado em Teologia e Filosofia, tem Doutorado em Sociologia, autor de: "O Piauí, Realidade e Perspectivas de Desenvolvimento"; "A Pobreza Piauiense"; "Os Primórdios de Nossa História"; "A Prioridade do Norte no Povoamento do Piauí"; "Bernardo de Carvalho"; "Os Jesuítas no Piauí" (1992) e "Novas Aventuras de uma Sesmaria".
Cléa Rezende Neves de Melo – Licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola e suas Literaturas, Pós-graduada em Filologia Hispânica e em Língua Portuguesa, autora de: “Memórias de Piripiri”.
Clodoaldo Freitas – Formado em Direito, autor de: “História do Piauí”; “Vultos Piauienses” e História de Teresina.
F. A. Pereira da Costa – Bacharel em Direito, autor da: “Cronologia Histórica do Estado do Piauí”.
Herculano Moraes – Sem formação universitária, autor de: “Memorial do Judiciário – Roteiro para a História do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí” e "Visão Histórica da Literatura Piauiense".
Higino Cunha – Advogado, autor de: "O Teatro em Teresina"; "História das Religiões no Piauí"; “Os Revolucionários no Sul do Brasil” e “A Revolução de 1930 no Piauí”.
Joel Genuíno de Oliveira – Sem formação universitária, autor de “Governos do Piauí” e “O Piauí no Congresso Nacional”. Colaborou com os principais jornais de Teresina, onde, diariamente publicava a nota “Atos e Fatos da História do Piauí”.
João Gabriel Baptista – Engenheiro Civil, autor de: Etnohistória Indígena Piauiense; Corográfico do Estado do Piauí” e “Mapas Geo-Históricos do Piauí”.
José Alves Fortes Filho – Sem formação universitária, autor de: “Adesão do Piauí à Independência do Brasil”, opúsculo e “Teresina, de Saraiva a Heráclito”, opúsculo.
José Camilo da Silveira Filho – Bacharel em Direito, autor de: "Breve Introdução ao Estudo Piauiense"; "Rebelião de Pinto Madeira e o Piauí"; "O Cochrane das Caatingas"; "O Piauí na II Guerra Mundial" e "O Piauí na Guerra dos Canudos".
José Martins Pereira de Alencastre – Profissional da área do Direito, autor de: “Memória Cronológica, Histórica e Corográfica da Província do Piauí” e “Estudos Históricos, Notas Diárias sobre a Revolta nas Províncias do Maranhão, Piauí e Ceará.
José Mendes de Sousa Moura – Engenheiro Civil, autor de “Simplício Mendes – História e Notáveis”.
José Omar Araújo Brasil – Sem formação acadêmica, autor de: “Batalha do Jenipapo – Síntese da História 179 Anos - 1823-2002”.
Judith Santana – Sem formação acadêmica, autora de: "Piripiri" e "Parnaíba".
Júlio Romão da Silva – Sem formação universitária, autor de: "Memória Histórica Sobre a Transferência da Capital do Piauí".
Luiz Mott – Licenciado em Ciências Sociais, tem Mestrado em Etnologia e Doutorado em Antropologia, autor de: "Piauí Colonial – população, economia e sociedade".
Maria da Penha Fontes e Silva – Sem formação universitária, autora de: "Piauí - Estudos Regionais do 2º grau", coautoria.
Pe. Miguel de Carvalho – De formação estritamente religiosa, autor da “Descrição do Sertão do Piauí”, escrita em 1697.
Miguel de Sousa Borges Leal Castelo Branco (II) – Profissional da área do Magistério e do Direito, autor de: “Apontamentos para a Sinopse da Província do Piauí”. Fundou o Almanaque Piauiense, onde publicou uma série de documentos históricos sobre a Província.
Moisés Castelo Branco Filho – Engenheiro Geográfico, autor de: “História da Revolução no Piauí”; “Povoamento do Piauí”; “História do Comércio de Teresina”; “História de Uma Bandeira - Desbravamento do Piauí”; “Guerra da Independência no Piauí”; “História da Cidade”; “O Piauí na História Militar do Brasil”; “Depoimento para a História da Revolução no Piauí, período revolucionário: 1922-1931” e “A Família Rural do Piauí”.
Nasi Castro – Sem formação universitária, autora de: “Amarante - Um Pouco da História e da Vida da Cidade” e “Amarante, Folclore e Memória”.
Odilon Nunes – Sem formação universitária, autor de: "O Piauí na História"; "Súmula de História do Piauí"; "Pesquisas para a História do Piauí", 4 volumes; “Apontamentos Históricos”; "Economia e Finanças"; “Piauí Colonial”; “Geografia e História do Piauí”; "Os Primeiros Currais"; "Devassamento e Conquista do Piauí"; "O Piauí, seu Povoamento e seu Desenvolvimento"; "Estudos da História do Piauí"; “A Origem das Fazendas Estaduais”; “Domingos Jorge Velho e o Assentamento das Bases Econômicas do Piauí”; “Um Desafio da Historiografia do Brasil” e "Raízes do Terceiro Mundo".
Patrício Franco – Sem formação acadêmica, autor de: “Capítulos da História do Piauí”; “O Município no Piauí”; “História do Banco do Estado do Piauí” e “Uruçuí: Sua História, Sua Gente”.
Paulo Machado – Bacharel em Direito, autor de: As Trilhas da Morte.
R. N. Monteiro de Santana – Bacharel em Direito, autor de: "Perspectiva Histórica do Piauí" e "Evolução Histórica da Economia Piauiense". Organizou o livro “Piauí: Formação - Desenvolvimento - Perspectivas”.
Reginaldo Gonçalves de Lima – Formado em Contabilidade e em Administração de Empresas, autor de: "Geração Campo Maior - anotações para uma enciclopédia".
Reginaldo Miranda – Bacharel em Direito, autor de: “Piauí em Foco”; Bertolinia: História, Meio e Homem”; “Cronologia Histórica do Município de Regeneração” e Aldeamento dos Acoroás”.
Renato Castelo Branco – Bacharel em Direito, autor de: “A Civilização do Couro”; “O Homem, Escravo e Senhor”; “A Conquista dos Sertões de Dentro”; “Senhores e Escravos (A Balaiada)”; “Domingos Jorge Velho e a Presença Paulista no Nordeste” e “A Guerra do Fidié”.
Renato Neves Marques – Sem formação acadêmica, autor de: “19 de Outubro – O Dia do Piauí” e de vários ensaios históricos dentre os quais: “O Apostolado dos Tremembés” e “Nossa Senhora do Monte Serrate, a Padroeira da Vila da Parnaíba”.
Sebastião Martins de Araújo Costa – Formado em Medicina, autor de: “História do Piauí” e “Fundação de Jerumenha”.
Socorro Santana – Sem formação acadêmica, autora de: "Terra de Bruenque".
Toni Rodrigues - Profissional da área de comunicação, ator de: "História de Altos".
Wilson Brandão – Formado em Direito, autor de: “História da Independência do Piauí” e “A Balaiada - Aspectos Sociais e Políticos (Piauí)”.
Wilson Carvalho Gonçalves – Farmacêutico, autor de: “Terra dos Governadores”; “Os Homens que Governaram o Piauí”; “Teresina - Pesquisas Históricas”; “Dicionário Histórico-Biográfico Piauiense”; “Vultos da História de Barras”; “Roteiro Cronológico da História do Piauí”; “Grande Dicionário Histórico-Biográfico Piauiense” e “Dicionário Enciclopédico Ilustrado Piauiense”.
William Palha Dias – Formado em Direito, autor de: “Piauí, Ontem e Hoje”; “O Piauí em Estudos Sociais”; “Caracol na História do Piauí” e “São Raimundo Nonato de Distrito-Freguesia a Vila”.
Zózimo Tavares – Formado em Jornalismo e Letras, Pós-Graduado em Comunicação e Marketing e Mestrando em Linguistica, autor de: “100 Fatos do Piauí no Século 20”.
Obras consultadas:
1) Dicionário Biográfico Virtual de Escritores Piauienses, de Adrião Neto.
2) Dicionário Enciclopédico Piauiense Ilustrado, de Wilson Carvalho Gonçalves.
3) Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí, de Cláudio Bastos.
Adrião Neto – Dicionarista biográfico, historiador, poeta e romancista, autor do livro “Geografia e História do Piauí para Estudantes – Da Pré-História à Atualidade”.
fonte www.meionorte.com
Cláudio Bastos formou-se em Administração Pública e em Sociologia e Política. Foi professor universitário, pesquisador, escritor e jornalista. Lecionou nos cursos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Gerenciais da Universidade de Negócios e Administração, em Belo Horizonte. Era membro do Instituto Genealógico Brasileiro, do Colégio Brasileiro de Genealogia, da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia, da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba.
Dentre as sua obras destacam-se o “Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí”, editado em 1994, pela Fundação Cultural Mons.
Em 23 de agosto de 2004, no dia em que comemorava 69 anos de existência, o pesquisador piauiense Cláudio de Albuquerque Bastos, foi vítima de um enfarto fulminante. Ele era teresinense, mas vivia há muitos anos na capital mineira, onde estudou, constituiu família e desenvolvia as suas atividades profissionais.
PIAUÍ – SUA HISTÓRIA E SEUS HISTORIADORES
Por Adrião Neto
Comentários de medalhões da intelectualidade piauiense dão conta de que determinada obra sobre um dos principais episódios da História do Piauí, publicada por uma grande editora, seria superficial e uma das mais fracas do gênero, simplesmente pelo fato de ter sido elaborada por um escritor sem formação acadêmica na área de História.
Refletindo sobre essas críticas e sobre a censura de que o autor da obra em foco teria invadido uma seara proibida, infringindo assim os Sagrados Mandamentos da Lei de CLIO (Deus da História), resolvi fazer um levantamento sobre o acervo historiográfico do Piauí e sobre a formação acadêmicas dos nossos historiadores.
Pelas pesquisas que realizei ficou constatado que uma coisa não tem relação com a outra, vez que, as principais obras do nosso acervo historiográfico e outras de relativa importância, incluindo-se também algumas de cunho municipalista, foram legadas por escritores de outras áreas do conhecimento e até mesmo por autores sem formação acadêmica, como é o caso do mestre Odilon Nunes, que é considerado como o maior historiador do Piauí de todos os tempos.
Se realmente para se dedicar a um gênero literário fosse necessário ter formação específica, haveria a necessidade de se ter cursos de graduação em romance, conto, crônica, poesia, etc.
Por outro lado, se, por um passo de mágica a contribuição dos historiadores de outras áreas do conhecimento fosse deletada dos livros, e se a historiografia do Piauí contasse apenas com a produção dos historiadores formados em História, o nosso acervo historiográfico não passaria de um grão de areia no meio do deserto.
Como prova de que, o que afirmei no terceiro parágrafo não é história para boi dormir, transcrevo uma relação de autores acompanhada da formação acadêmica de cada um deles e de suas respectivas obras no campo da historiografia.
Autores sem formação acadêmica na área de História e suas respectivas obras:
Abdias Neves – Bacharel em Direito, autor de: "O Piauí na Confederação do Equador"; "Contribuições para a História do Piauí"; "Aspectos do Piauí"; "O Piauí nas Lutas de 1824" e "A Guerra de Fidié".
Alcides Martins Nunes – Formado em Direito, autor de: "Cronologia Histórica de Valença" e "Anuário de Valença do Piauí", coautoria.
Anísio Brito – Formado em Odontologia, autor de: "Contribuição do Piauí à Guerra do Paraguai"; "O Município Piauiense"; "A Quem Pertence a Prioridade Histórica do Descobrimento do Piauí?"; "Adesão do Piauí à Confederação do Equador"; "Independência do Piauí"; "Os Balaios no Piauí" e "Fazendas Nacionais no Piauí".
Antônio José de Moraes Durão – Formado em Direito, autor da "Descrição da Capitania de São José do Piauí", escrito em l772.
Antônio Reinaldo Soares Filho – Geólogo, autor de: “Oeiras Municipal”.
Antônio Sampaio Pereira – Sem formação acadêmica, autor de: "Esperantina à Luz da História".
Arimatéa Tito Filho – Bacharel em Direito, autor de: "O Piauí no Congresso Nacional"; "Governos do Piauí";"Sua Excelência O Egrégio"; "A Augusta Casa do Piauí"; "Praça Aquidabã, Sem Número"; "Teresina, Ruas, Praças e Avenidas - Roteiro Turístico"; "A Igreja do Alto da Jurubeba"; "José de Freitas, Comunidade Exemplar" e "Memorial da Cidade Verde".
Artur Passos – Sem formação universitária, autor de: "História do Município"; "Roteiro Histórico do Município de Guadalupe" e "História, Economia e Lendas".
Barbosa Lima Sobrinho – Formado em Direito, autor de: "O Devassamento do Piauí".
Benjamin de Moura Batista – Formado em Medicina, autor de: “O Piauí - 1762 a 1920” e “O Piauí no Centenário de Sua Independência”, 4 volumes.
Celso Pinheiro Filho – Formado em Direito, autor de: “História da Imprensa Piauiense”.
Caio Passos – Sem formação universitária, autor de: “Parnaíba – Cada Rua Sua História”.
Carlos Eugênio Porto – Médico, autor de: "Roteiro do Piauí".
Mons. Chaves – Licenciado em Filosofia, tem cursos de Teologia, Escritura Sagrada e Direito Canônico, autor de: “Teresina Subsídios para a História do Piauí”; “O Índio no Solo Piauiense”; “Campo Maior – Lutas pela Independência” (Batalha do Jenipapo); “A Escravidão no Piauí”; “O Piauí na Guerra do Paraguai”; “O Piauí nas Lutas da Independência” e “Como Nasceu Teresina”.
Cláudio Bastos – Bacharel em Administração Pública, em Sociologia e Política, autor do “Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí”.
Pe. Cláudio Melo – Formado em Teologia e Filosofia, tem Doutorado em Sociologia, autor de: "O Piauí, Realidade e Perspectivas de Desenvolvimento"; "A Pobreza Piauiense"; "Os Primórdios de Nossa História"; "A Prioridade do Norte no Povoamento do Piauí"; "Bernardo de Carvalho"; "Os Jesuítas no Piauí" (1992) e "Novas Aventuras de uma Sesmaria".
Cléa Rezende Neves de Melo – Licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola e suas Literaturas, Pós-graduada em Filologia Hispânica e em Língua Portuguesa, autora de: “Memórias de Piripiri”.
Clodoaldo Freitas – Formado em Direito, autor de: “História do Piauí”; “Vultos Piauienses” e História de Teresina.
F. A. Pereira da Costa – Bacharel em Direito, autor da: “Cronologia Histórica do Estado do Piauí”.
Herculano Moraes – Sem formação universitária, autor de: “Memorial do Judiciário – Roteiro para a História do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí” e "Visão Histórica da Literatura Piauiense".
Higino Cunha – Advogado, autor de: "O Teatro em Teresina"; "História das Religiões no Piauí"; “Os Revolucionários no Sul do Brasil” e “A Revolução de 1930 no Piauí”.
Joel Genuíno de Oliveira – Sem formação universitária, autor de “Governos do Piauí” e “O Piauí no Congresso Nacional”. Colaborou com os principais jornais de Teresina, onde, diariamente publicava a nota “Atos e Fatos da História do Piauí”.
João Gabriel Baptista – Engenheiro Civil, autor de: Etnohistória Indígena Piauiense; Corográfico do Estado do Piauí” e “Mapas Geo-Históricos do Piauí”.
José Alves Fortes Filho – Sem formação universitária, autor de: “Adesão do Piauí à Independência do Brasil”, opúsculo e “Teresina, de Saraiva a Heráclito”, opúsculo.
José Camilo da Silveira Filho – Bacharel em Direito, autor de: "Breve Introdução ao Estudo Piauiense"; "Rebelião de Pinto Madeira e o Piauí"; "O Cochrane das Caatingas"; "O Piauí na II Guerra Mundial" e "O Piauí na Guerra dos Canudos".
José Martins Pereira de Alencastre – Profissional da área do Direito, autor de: “Memória Cronológica, Histórica e Corográfica da Província do Piauí” e “Estudos Históricos, Notas Diárias sobre a Revolta nas Províncias do Maranhão, Piauí e Ceará.
José Mendes de Sousa Moura – Engenheiro Civil, autor de “Simplício Mendes – História e Notáveis”.
José Omar Araújo Brasil – Sem formação acadêmica, autor de: “Batalha do Jenipapo – Síntese da História 179 Anos - 1823-2002”.
Judith Santana – Sem formação acadêmica, autora de: "Piripiri" e "Parnaíba".
Júlio Romão da Silva – Sem formação universitária, autor de: "Memória Histórica Sobre a Transferência da Capital do Piauí".
Luiz Mott – Licenciado em Ciências Sociais, tem Mestrado em Etnologia e Doutorado em Antropologia, autor de: "Piauí Colonial – população, economia e sociedade".
Maria da Penha Fontes e Silva – Sem formação universitária, autora de: "Piauí - Estudos Regionais do 2º grau", coautoria.
Pe. Miguel de Carvalho – De formação estritamente religiosa, autor da “Descrição do Sertão do Piauí”, escrita em 1697.
Miguel de Sousa Borges Leal Castelo Branco (II) – Profissional da área do Magistério e do Direito, autor de: “Apontamentos para a Sinopse da Província do Piauí”. Fundou o Almanaque Piauiense, onde publicou uma série de documentos históricos sobre a Província.
Moisés Castelo Branco Filho – Engenheiro Geográfico, autor de: “História da Revolução no Piauí”; “Povoamento do Piauí”; “História do Comércio de Teresina”; “História de Uma Bandeira - Desbravamento do Piauí”; “Guerra da Independência no Piauí”; “História da Cidade”; “O Piauí na História Militar do Brasil”; “Depoimento para a História da Revolução no Piauí, período revolucionário: 1922-1931” e “A Família Rural do Piauí”.
Nasi Castro – Sem formação universitária, autora de: “Amarante - Um Pouco da História e da Vida da Cidade” e “Amarante, Folclore e Memória”.
Odilon Nunes – Sem formação universitária, autor de: "O Piauí na História"; "Súmula de História do Piauí"; "Pesquisas para a História do Piauí", 4 volumes; “Apontamentos Históricos”; "Economia e Finanças"; “Piauí Colonial”; “Geografia e História do Piauí”; "Os Primeiros Currais"; "Devassamento e Conquista do Piauí"; "O Piauí, seu Povoamento e seu Desenvolvimento"; "Estudos da História do Piauí"; “A Origem das Fazendas Estaduais”; “Domingos Jorge Velho e o Assentamento das Bases Econômicas do Piauí”; “Um Desafio da Historiografia do Brasil” e "Raízes do Terceiro Mundo".
Patrício Franco – Sem formação acadêmica, autor de: “Capítulos da História do Piauí”; “O Município no Piauí”; “História do Banco do Estado do Piauí” e “Uruçuí: Sua História, Sua Gente”.
Paulo Machado – Bacharel em Direito, autor de: As Trilhas da Morte.
R. N. Monteiro de Santana – Bacharel em Direito, autor de: "Perspectiva Histórica do Piauí" e "Evolução Histórica da Economia Piauiense". Organizou o livro “Piauí: Formação - Desenvolvimento - Perspectivas”.
Reginaldo Gonçalves de Lima – Formado em Contabilidade e em Administração de Empresas, autor de: "Geração Campo Maior - anotações para uma enciclopédia".
Reginaldo Miranda – Bacharel em Direito, autor de: “Piauí em Foco”; Bertolinia: História, Meio e Homem”; “Cronologia Histórica do Município de Regeneração” e Aldeamento dos Acoroás”.
Renato Castelo Branco – Bacharel em Direito, autor de: “A Civilização do Couro”; “O Homem, Escravo e Senhor”; “A Conquista dos Sertões de Dentro”; “Senhores e Escravos (A Balaiada)”; “Domingos Jorge Velho e a Presença Paulista no Nordeste” e “A Guerra do Fidié”.
Renato Neves Marques – Sem formação acadêmica, autor de: “19 de Outubro – O Dia do Piauí” e de vários ensaios históricos dentre os quais: “O Apostolado dos Tremembés” e “Nossa Senhora do Monte Serrate, a Padroeira da Vila da Parnaíba”.
Sebastião Martins de Araújo Costa – Formado em Medicina, autor de: “História do Piauí” e “Fundação de Jerumenha”.
Socorro Santana – Sem formação acadêmica, autora de: "Terra de Bruenque".
Toni Rodrigues - Profissional da área de comunicação, ator de: "História de Altos".
Wilson Brandão – Formado em Direito, autor de: “História da Independência do Piauí” e “A Balaiada - Aspectos Sociais e Políticos (Piauí)”.
Wilson Carvalho Gonçalves – Farmacêutico, autor de: “Terra dos Governadores”; “Os Homens que Governaram o Piauí”; “Teresina - Pesquisas Históricas”; “Dicionário Histórico-Biográfico Piauiense”; “Vultos da História de Barras”; “Roteiro Cronológico da História do Piauí”; “Grande Dicionário Histórico-Biográfico Piauiense” e “Dicionário Enciclopédico Ilustrado Piauiense”.
William Palha Dias – Formado em Direito, autor de: “Piauí, Ontem e Hoje”; “O Piauí em Estudos Sociais”; “Caracol na História do Piauí” e “São Raimundo Nonato de Distrito-Freguesia a Vila”.
Zózimo Tavares – Formado em Jornalismo e Letras, Pós-Graduado em Comunicação e Marketing e Mestrando em Linguistica, autor de: “100 Fatos do Piauí no Século 20”.
Obras consultadas:
1) Dicionário Biográfico Virtual de Escritores Piauienses, de Adrião Neto.
2) Dicionário Enciclopédico Piauiense Ilustrado, de Wilson Carvalho Gonçalves.
3) Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí, de Cláudio Bastos.
Adrião Neto – Dicionarista biográfico, historiador, poeta e romancista, autor do livro “Geografia e História do Piauí para Estudantes – Da Pré-História à Atualidade”.
fonte www.meionorte.com
Assinar:
Postagens (Atom)



















